
Vamos escrever “no bom português”?
Significado de O
[Gramática] Como artigo, refere-se aos nomes masculinos, acompanhando-os: o carro; o caderno, o escritor, o festival, O FLAL...
O FLAL Festival de Literatura e Artes Literárias. A palavra festival classifica-se como um substantivo masculino. Portanto, ao referir-se à sigla FLAL (cujo núcleo é “festival”), deve-se utilizar o artigo masculino, resultando em: o FLAL.
Alguns até podem dizer ou fofocar que estou sendo “chata”. Não, mesmo! Quem somos? Nos autodenominamos escritores e o que faz um escritor? Escreve! E nós temos a responsabilidade de escrever corretamente. Pode até escrever “baboseiras”, desde que sejam escritas da maneira correta. Podem até usar elementos de linguagens regionais. Sem engolir letras, pois o alfabeto está aí para ser usado...
Nós vamos ESTÁ no lançamento do seu livro. Cadê o R? Nós vamos ESTAR no lançamento do seu livro! MAS não é MAIS; assim como SEJE não se escreve, o correto é SEJA bem escrito. Escrever FATOS REAIS é um pleonasmo, uma redundância, uma inutilidade, pois FATO é sinônimo de: acontecimento, ocorrência, evento, realidade, verdade.
O renomado escritor português, José Saramago escreveu: “Somos todos escritores. Só que alguns escrevem e outros, não.” (Reflete a ideia de que a capacidade de contar histórias, criar narrativas e vivenciar experiências (a essência da escrita) é inerente a todos os seres humanos, mas apenas alguns concretizam esse potencial através do ato físico de escrever).
Como escritores, temos o “dever” de escrever corretamente. Quando não sabemos, não temos certeza, consultamos um DICIONÁRIO, que é o melhor amigo de um escritor, além do revisor(a). Além de que atualmente, podemos consultar a inteligência artificial em inúmeras plataformas.
Fico chocada com os erros absurdos nas redes sociais. Postagens sem nenhum cuidado, sem revisar o que foi escrito ou sem corrigir o tal “corretor do celular”. Vão lá e simplesmente escrevem ou criam um banner ou copiam do Google e não conferem o que escreveram ou copiaram... Temos que preservar os nossos “escritos” e a nossa identidade autoral. Inadmissível para autores da literatura contemporânea.
Já fui muito criticada por querer o correto. Por não usar certas denominações para coisas do cotidiano. Tenho culpa por desejar o melhor para todos? Para que todos entendam? Sejam eles, leigos ou versados? Nós, que usamos as palavras para expressar sentimentos e desejos, que serão lidos por toda a gente, temos o “dever” de escrever respeitando a nossa língua portuguesa.
Um grave problema atual, relacionado com o uso das redes sociais, que em alguns casos, virou depósito de palavras toscas e violentas, foi a criação e/ou surgimento de inúmeros analfabetos funcionais, os chamados “ignorantes”.
Todos* sabem ler, porém, os analfabetos funcionais não conseguem compreender textos simples, interpretar informações e comentários ou usá-los no cotidiano. E aí a confusão se estabelece em nosso dia a dia... (*presumindo que não temos analfabetos nas redes sociais).
Ser escritor no país tropical é um desafio. A maioria que escreve o faz paralelamente à atividade profissional, porque precisa pagar as contas. Escrevemos por amor a literatura, para desafogar a alma inquieta ou protestar contra as injustiças, as guerras e a violência que assola o mundo moderno. Precisamos aproveitar o tempo que temos para fazer o certo.
Trecho do livro O Caminho das Pedras, do escritor Ryoki Inoue: "Escrever é um trabalho dos mais duros e dos mais difíceis, não são todas as pessoas que têm coragem suficiente para enfrentar esse tipo de empreitada.”
Também chama a minha atenção, os autores que não leem o que é solicitado para sua participação em eventos ou concursos. O programa do FLAL é ignorado e muitos autores não encontram as informações necessárias para concretizar sua participação. Quem não entende algum item, solicita esclarecimento e são devidamente informados.
Mas a maioria não lê e não sabe como proceder. E eu estou aqui, ainda discorrendo sobre minha surpresa quanto à falta de leitura dos nossos autores. Por que não leem? Não é importante? É muito extenso? Muito chato? Muitas regras? É gratuito, por isso não leem?
Já participei de alguns concursos públicos e de editoras. E o mais importante foi ler cuidadosamente o edital. Não uma vez, várias leituras para inteirar-me de todas as determinações ou regras. Enviando o texto de minha participação dentro do prazo e conforme solicitado.
Se eu posso, por que alguns não podem? Não conseguem seguir o roteiro, pois, penso eu, querem destacar-se dos demais criando polêmicas ou simplesmente deixando pra lá? Esquecendo que a equipe se dedica voluntariamente à organização do festival? Nosso trabalho visa a Literatura Nacional Contemporânea e não podemos divulgá-la sem destacar os seus autores.
E por que fazemos isso? É um tal de ativismo literário, que às vezes até parece uma enfermidade... Será que tem cura? Será que um dia encontraremos uma vacina que nos livre de criar e organizar um festival que nos faz tão felizes e realizadas? Enquanto isso, seguimos em frente, apesar da inércia de alguns autores que se apresentam de vez em quando...
Lembrem-se: Não somos grandes... e nesse imenso Universo, somos como grãos de areia, que não sobrevivem sozinhos e se perdem para sempre numa tempestade no deserto...
by Nell Morato em 11/06/2026