
ALEXANDRA FERREIRA
2° LUGAR — Do Silêncio ao Barro
Sua Biografia:
Alexandra Ferreira, natural de uma aldeia do vale do Alto Douro e atualmente residente no Porto. Engenheira de formação, com mestrado em Engenharia Rodoviária e participação num comité técnico internacional, desenvolveu a sua carreira num domínio onde o rigor e a precisão são essenciais.
Na escrita encontrou um espaço complementar, onde as estruturas ganham forma através da memória, do ritmo e da emoção. A vida comunitária do interior e as paisagens durienses marcaram a sua sensibilidade literária, inspirando temas como raízes, identidade e a relação íntima entre som e afeto.
Mãe de um filho, participa em clubes de leitura e tem vindo a publicar textos em antologias e revistas literárias. Autora do romance Sombras com rosto e do livro de contos Um Verão sem ti. É cronista na Liga dos 7 e faz parte do Clube de Escritores Escreviventes, Alvorada e do Clube do Livro.
Sua Entrevista:
1. Você pode se apresentar pra gente? Quem é você quando não está escrevendo?
Sou apaixonada pela minha família, sobretudo pelo meu filho, e encontro inspiração nas caminhadas à beira-mar, nas viagens, na descoberta de novas culturas, na leitura e na escrita.
Engenheira de formação, dedico-me à coordenação e liderança de projetos de engenharia e gestão de ativos rodoviários.
2. Seu conto vencedor, conte por que você escolheu falar justamente sobre isso? De onde veio essa ideia?
O meu conto “Do Silêncio ao Barro” é uma narrativa que aborda a violência, uma realidade que continua presente na sociedade e atravessa todas as classes sociais. As minhas histórias inspiram-se quase sempre na vida, nas relações humanas e na forma como nos relacionamos com os outros e com a natureza. A ideia nasceu da reflexão sobre a forma como a violência pode ser silenciosa e invisível, marcando profundamente a vítima, mas também da convicção de que é possível ter esperança na reconstrução de uma vida.
3. Você lembra como foi o momento em que escreveu? Foi de uma vez só, inspirado(a), ou foi reescrevendo aos poucos?
Como em quase todos os meus contos, tudo começa com uma inspiração inicial que me permite desenhar a estrutura da história. Depois, o processo é mais lento. Raramente disponho de tempo para escrever de uma só vez, por isso vou cultivando o conto aos poucos, deixando as personagens e as emoções amadurecerem até encontrarem a sua voz e a forma que procuro.
4. O que mais te chama atenção no dia a dia e te dá vontade de transformar em conto?
O que mais me inspira são as relações humanas e a forma como nos ligamos aos outros e à natureza. Observo-as através do meu olhar de mulher e é delas que nascem grande parte dos meus contos.
5. O que esse prêmio representa para você e o que você diria para alguém que gosta de escrever, mas ainda não se inscreveu em nenhum concurso?
Este prémio representa o reconhecimento da minha voz e da minha escrita por um júri, e esse reconhecimento dá-me alento para continuar a minha caminhada literária.
A quem gosta de escrever, mas nunca se inscreveu num concurso, diria que se desafie e tenha a coragem de concorrer. Independentemente do resultado, esse desafio é sempre uma oportunidade de crescimento e aprendizagem.
..........................................................................................................................................
MARIA LEONILDA PEREIRA
3º LUGAR — Entre o Ruido e o Olhar
Sua Biografia:
Maria Leonilda Soares Videira da Fonseca Pereira, licenciada em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, ama as palavras.
A sua vida de professora de Português do Ensino Secundário, os clubes de escrita e leitura, a publicação anual do livro Olhares da Lua (textos dos alunos, selecionados e editados em colaboração com os colegas da escola), a fomentação de intercâmbios escolares, nacionais e internacionais, evidenciam o gosto e amor à Língua Portuguesa.
Publicou Da Minha Janela, um livro de poesia e A Gargalhada do Medo, infantil, a par de contos e poemas em coletâneas, revistas e redes sociais.
Ler e escrever são atividades indispensáveis no seu quotidiano.
Sua Entrevista:
1. Você pode se apresentar pra gente? Quem é você quando não está escrevendo?
Sou professora de Português aposentada, leitora assídua e curiosa pelo que me rodeia. Gosto de conviver com a família e os amigos, viajar, observar a natureza e descobrir outros lugares e pessoas. Talvez nunca deixe verdadeiramente de ser leitora, mesmo quando não estou a escrever.
2. Sua crônica teve tema livre — por que você escolheu falar justamente sobre isso? De onde veio essa ideia?
Escolhi falar de literatura infantil e juvenil porque me levou às histórias que ouvia à lareira e à carrinha da Gulbenkian, onde descobri tantos livros. Quis ligar essas memórias à leitora e à escritora que sou hoje.
3. Você lembra como foi o momento em que escreveu? Foi de uma vez só, inspirado(a), ou foi reescrevendo aos poucos?
A ideia surgiu com facilidade porque partia de memórias muito presentes. Escrevi uma primeira versão e depois fui relendo e depurando. Gosto desse trabalho: escrever, deixar repousar e voltar ao texto para perceber o que está a mais ou ainda falta.
4. O que mais te chama atenção no dia a dia e te dá vontade de transformar em crônica?
As pessoas, os comportamentos, as relações e pequenos acontecimentos do quotidiano. Gosto de observar e questionar. Às vezes, uma conversa, uma notícia ou um gesto aparentemente insignificante, basta para nascer uma crónica.
5. O que esse prêmio representa para você e o que você diria para alguém que gosta de escrever, mas ainda não se inscreveu em nenhum concurso?
Representa o reconhecimento de um texto em que coloquei memórias e reflexão e, naturalmente, deixa-me feliz. A quem ainda hesita, diria: participe. Um concurso pode trazer um prémio ou uma rejeição, mas nenhum dos dois deve decidir se continuamos a escrever.
........................................................................................................................................